Pela primeira vez, NASA detecta moléculas de água em região iluminada da Lua

A NASA detectou, pela primeira vez, moléculas de água presentes na superfície da Lua que é iluminada pelo Sol. A descoberta indica que a água não se limita aos locais escuros e frios do satélite natural, podendo estar distribuída por diferentes regiões da superfície. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26) e os resultados estão publicados na revista científica Nature Astronomy.

As moléculas foram encontradas na Cratera Clavius, localizada no hemisfério sul da Lua. Observações anteriores já haviam detectado água na forma de gelo em crateras que não recebem luz solar, os polos lunares. Ao contrário do que diz o disco do Pink Floyd, não existe um dos lados que é escuro o tempo todo. Com exceção dessas regiões nos polos, toda a superfície da Lua é iluminada em algum momento durante os movimentos de rotação e translação.

A agência espacial também já suspeitava da presença de água em locais mais iluminados. Pesquisadores haviam detectado alguma forma de hidrogênio na superfície lunar, mas as moléculas poderiam ser tanto de água (H2O) quanto de hidroxila (OH). O telescópio SOFIA, que observa radiação infravermelha, confirmou a presença de moléculas de água.

A quantidade de água encontrada foi entre 100 e 400 partes por milhão. Ou seja, a cada um milhão de moléculas da região, 100 são de água. Isso equivale a 350 mililitros dentro de um cubo com um metro de lado – ou, para facilitar a comparação, uma lata de refrigerante cheia para cada 500 garrafas de dois litros vazias. É bom lembrar, no entanto, que foram encontradas apenas moléculas. Não se sabe se a água está na forma líquida.

A concentração de água naquela região da superfície da Lua é 100 vezes menor do que no deserto do Saara. A Missão Ártemis, que pretende levar a primeira mulher e próximo homem à Lua em 2024, deve realizar mais estudos sobre a presença de água na Lua in loco. Os cientistas pretendem avaliar se a água é acessível e se é possível utilizá-la como recurso.

Essa possibilidade é particularmente importante porque a NASA pretende chegar à Marte até 2030. Para isso, será necessário montar uma base na Lua, e partir dali para o planeta vermelho. A possibilidade de obter água do próprio solo lunar facilitaria a estadia prolongada dos astronautas.

O Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha (ou SOFIA, na sigla em inglês) é um Boeing 747SP adaptado para carregar um telescópio de 2,7 metros de largura. Ele não chega ao espaço, mas atinge a estratosfera a uma distância de 13 quilômetros do chão.

O SOFIA estava procurando o comprimento de onda característico das moléculas de água. Os telescópios da superfície terrestre não conseguem captar o infravermelho com precisão, pois a atmosfera da Terra bloqueia boa parte desses raios. Na estratosfera, o SOFIA ultrapassa 99% do vapor d’água presente na nossa atmosfera.

A detecção de concentrações significativas de água levantou mais perguntas do que respostas. A Lua não possui uma atmosfera espessa o suficiente para prender a água, como faz a Terra. Lá, as moléculas de simplesmente flutuariam para o espaço. Isso significa que de alguma forma essas moléculas de água estão presas na superfície.

A principal hipótese dos pesquisadores é que a água tenha sido levada por micrometeoritos que se chocaram com a superfície lunar, e o impacto faria com que as moléculas ficassem presas lá dentro. Outra possibilidade é que os ventos solares levem o hidrogênio para a Lua, que sofreria uma reação química com as rochas que possuem átomos de oxigênio. Essa reação daria origem à hidroxila (OH). Enquanto isso, o bombardeio dos micrometeoritos transformariam a hidroxila em água (H2O).

Os pesquisadores também levantam outras duas hipóteses sobre como a água está armazenada. A primeira é que ela esteja dentro de estruturas compactadas pelo impacto dos meteoritos. Outra possibilidade é que ela esteja escondida entre os grãos de solo lunar, protegida do Sol.

Os próximos voos do SOFIA devem avaliar a presença de água em outras regiões da Lua.

Fonte: Superinteressante