Morre, aos 85 anos, Cariê Lindenberg

O empresário, músico, escritor e presidente do Conselho de Administração da Rede Gazeta, Carlos Fernando Lindenberg Filho, morreu nesta terça-feira (6), após complicações causadas por uma pneumonia

O empresário, músico e escritor Carlos Fernando Lindenberg Filho, o Cariê, morreu nesta terça-feira (6), em Vitória, aos 85 anos, em decorrência de complicações de uma pneumonia.

Responsável pelo surgimento da maior rede de comunicação do Espírito Santo, fundador da TV Gazeta e do site Gazeta Online – hoje A Gazeta -, ele presidia o Conselho de Administração da Rede Gazeta. Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o velório e o enterro vão ser restritos à família.

Cariê deixa três filhos: Carlos Fernando (Café), Letícia e Beatriz; e cinco netos – Eduardo, Mariana, Carlos Fernando, Carolina e Antônio. Apaixonado pelo campo, ele tinha na Fazenda Três Marias, em Linhares, uma de suas paixões.

Nos últimos anos, se dividia entre a leitura e a música em sua residência na Ilha do Frade, em Vitória. Desde o começo da pandemia da Covid-19 permaneceu em isolamento social.

Ao longo de seus 85 anos, Cariê sempre foi um ferrenho defensor do jornalismo e da liberdade de expressão. Esteve à frente da Rede Gazeta entre os anos de 1965 e 2001. Foi por sua atuação que o Grupo Globo estabeleceu-se no Espírito Santo, tendo a TV Gazeta como afiliada. Posteriormente os negócios se expandiram, com a criação de rádios, do site e das emissoras regionais sediadas em Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Colatina.

Em 2018, por ocasião do aniversário de 90 anos da empresa, revelou sempre ter sido um apaixonado pelo ambiente da Redação: “Minha tarefa não era lá, mas meu cacoete era ficar lá. Se não inteiramente na Redação, com os caras que eram os editores, diretores, jornalistas. Eu tinha, graças a Deus, excelente trânsito. Porque também era econômico em pedir as coisas, eu nunca mandei. Sempre propus discutir alguma coisa que fosse boa”, relembrou, à época.

Cariê entrou para o mundo empresarial “por sorte” – como ele mesmo definiu em sua primeira obra literária, “Eu e a sorte”, lançado em 2001. Sem qualquer experiência ou formação em administração, fez a fazenda da família, em Linhares, dobrar de tamanho, embora não tenha lhe dado lucro. Sob sua gestão, o jornal A Gazeta, que havia sido comprado por seu pai, o ex-governador Carlos Lindenberg, para apoiar o PSD e tinha apenas 38 funcionários, ganhou perfil imparcial e desvinculado de partidos políticos.

Filho do ex-governador Carlos Lindenberg, que comandou o Espírito Santo por dois períodos (1947-1951 e 1959-1962), Cariê não quis ingressar na vida política. Na última passagem do pai pelo Palácio Anchieta, chegou a ser convidado a assumir uma cadeira no secretariado, após colaborar ativamente com a campanha, mas declinou da ideia. “Disse ao papai: não tenho conhecimento necessário para fazer-te uma boa companhia; vou continuar no meu carguinho. Mas é preciso você manter a (minha) mesada, porque não vou ficar com essa pobreza”, contou, em 2019, com seu característico bom humor.

Foi um dos responsáveis pelo processo “de forma lenta, real e gradativa”, como explicava, de separar o jornal A Gazeta de vínculos políticos, na década de 1960, fato do qual ele sempre manifestou orgulho. “Houve a possibilidade de caminharmos para a isenção e a ponderação das verdades. É uma marca de A Gazeta. Vi isso em vários jornais importantes do Brasil e do mundo, e também nos livros sobre ética jornalística. Absorvi com muita naturalidade”, pontuou.

Cariê Lindenberg

Uma reflexão que revelou em sua última entrevista, concedida ao jornalista Abdo Chequer em setembro de 2019: “No jornalismo não cabe favor. Nem favor a favor e nem favor contra. O jornalismo tem que ser isento, tem que ser a transparência do que ocorre com a sociedade a que ele serve”.

Em seu livro, “Vou te contar”, Cariê resumiu sua trajetória: “Eu encontrei a vida na Gazeta e larguei todo o resto que eu fazia. Talvez um terço ou mais das histórias do livro sejam vinculadas à Gazeta porque foi a coisa mais importante da minha vida”.

Luto Oficial

Governo do Estado decretou luto oficial, por três dias, em sinal de pesar pelo falecimento de Carlos Fernando Lindenberg Filho. O Governador Renato Casagrande divulgou em seu Twitter uma nota. “O ES perdeu uma das suas maiores personalidades: o empresário, músico, escritor e presidente do grupo Rede Gazeta, Carlos Fernando Lindenberg. Cariê se notabilizou como defensor da democracia e da liberdade de imprensa. Sua história orgulha os capixabas. Siga em paz.”

Fonte: A Gazeta