Imetame inicia complexo portuário de R$ 1,7 bilhão em Aracruz

O grupo Imetame deverá dar início em breve à construção de um complexo portuário privado em Aracruz. A empresa acaba de receber a última licença necessária para começar as obras, que demandarão investimento de R$ 1,7 bilhão.

A construção deverá durar três anos, mas a expectativa é que em dois anos e meio a operação possa iniciar de forma parcial, afirma Cristiane Marsillac, que acaba de assumir o comando da divisão de logística do grupo. A executiva já foi presidente da Mercosul Line e da Transpetro.

O complexo terá ao menos três terminais. O primeiro será focado em contêineres, com capacidade inicial para movimentar 300 mil TEUs (unidade equivalente a 20 pés) por ano, e potencial para chegar a 1 milhão de TEUs.

O segundo terminal será voltado a granéis sólidos, especialmente soja, com capacidade para movimentar 10 milhões de toneladas anualmente. O terceiro terminal, um pouco menor que os demais, será de carga geral. Há ainda uma quarta área, ainda em fase de estudo, que poderá abrigar uma operação de óleo e gás.

Uma característica importante do porto será sua profundidade, de 17 metros – como comparação, o calado do Porto de Santos vai até 14,5 metros. Com isso, os terminais poderão receber os maiores navios do mercado global, o que garante ganhos de escala, afirma Cristiane. “Esse é um dos pontos-chave, um diferencial estrutural do porto”, diz. Ela ressalta que, hoje, o Espírito Santo não recebe navios de longo curso, apenas “feeders” (embarcações menores que atendem portos com menos movimentação).

Agora, caberá ao grupo garantir a demanda de carga para ocupar esses terminais, o que deverá ser feito ao longo dos próximos três anos. A executiva vê um potencial grande na própria região, onde está sendo desenvolvido um polo industrial. A companhia também avalia firmar parcerias com operadores estratégicos, que podem eventualmente se tornar sócios em algum dos terminais.

Outra meta da empresa é viabilizar um acesso ferroviário ao porto – um ponto importante principalmente para a operação de grãos. O terminal fica bem próximo à Estrada de Ferro Vitória Minas, da Vale, então bastaria um ramal de três quilômetros para fazer a conexão, diz ela.

Segundo a executiva, a companhia negocia a construção desse trecho com a VLI, operadora responsável pela Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que faz ligação com a malha da Vale e chega até o Centro-Oeste, o que permitiria trazer a carga do agronegócio até o porto. Procurada, a VLI diz que avalia todas as oportunidades, mas não comenta antecipadamente projetos específicos.

O complexo portuário da Imetame vem sendo estudado desde 2009. O grupo industrial, controlado pela família Cavallieri, foi criado em 1980, com foco em metalmecânica. Hoje, a empresa atua nos segmentos de rochas ornamentais, energia elétrica (usinas térmicas) e óleo e gás. O projeto inicial da empresa era fazer do porto um canal logístico para sua própria produção.

De lá para cá, o plano mudou totalmente e, hoje, a ideia é que o braço portuário seja mais um passo na diversificação do grupo. Esse redirecionamento foi possível a partir de outubro de 2016, quando a área da empresa deixou de fazer parte da poligonal do porto público, o que permitiu que o complexo fosse 100% privado. Nessa época, a legislação portuária também já havia retirado a obrigação de que terminais privados fossem destinados apenas a carga própria, o que viabilizou a operação de carga de terceiros.

Do R$ 1,7 bilhão de investimento previsto na obra, já foram aplicados R$ 300 milhões em processos iniciais, como terraplenagem e o início da construção de um contorno rodoviário, para a chegada de caminhões. Do valor restante necessário para o empreendimento, o grupo já tem a maior parte garantido em caixa, segundo Marsillac. Os demais recursos ainda serão obtidos – por meio de um sócio operador ou financiamento.

Questionada sobre o interesse do grupo na desestatização da Companhia Docas do Espirito Santo (Codesa), ela diz que qualquer investimento no Espírito Santo será sempre de interesse da companhia e, portanto, será estudado. Porém, ainda não há informações suficientes para um posicionamento, afirma. A modelagem da concessão da autoridade portuária foi publicada ontem pelo governo federal.

Fonte: Valor