Para uma parcela de acometidos da Covid-19, em especial os casos mais graves, que exigem internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), há risco de sequelas no cérebro, nos rins, nos pulmões, no coração e queda acentuada de cabelo.

Slider

Cérebro

Uma sequela já conhecida de infecções que geram longas internações são os danos neurológicos. Entram na lista déficits de concentração, alterações de apetite, humor e outros.

Indivíduos afetados pela Síndrome Respiratória Aguda Grave apresentam déficits cognitivos até cinco anos depois da alta. Entre eles, além de dificuldade de raciocínio e memória prejudicada, surgem sintomas de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, etc…

Segundo Gisele Sampaio, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia. “Não sabemos se isso irá se resolver no caso da Covid-19, mas outras doenças que atrapalham a oxigenação do cérebro podem deixar danos cerebrais permanentes”

Rins

Os médicos que atuam na linha de frente em unidades de terapia intensiva (UTIS) nos Estados Unidos descobriram que o novo coronavírus também está causando insuficiência renal de alguns pacientes e apresentando uma série de cálculos renais.

O novo coronavírus está causando insuficiência renal aguda a uma taxa surpreendentemente alta, com estudos preliminares estimando que entre 14% e 30% dos pacientes com Covid-19 doentes o suficiente para acabar na unidade de terapia intensiva também sofrem insuficiência renal.

De todo modo, indivíduos com doença renal crônica estão entre os grupos mais vulneráveis, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) por não produzirem hormônios renais e terem baixa imunidade.

Pulmão

O pulmão, alvo favorito do Sars-CoV-2, tende a demorar mais para se recuperar. Depois que o vírus vai embora, a inflamação pode persistir por semanas, comprometendo o funcionamento do órgão e causar insuficiência respiratória.

Em casos específicos, a batalha travada no local deixa suas cicatrizes, chamadas de fibroses, que normalmente são irreversíveis (pelo menos para outras infecções respiratórias). Isso ocorre porque o coronavírus deflagra uma inflamação intensa nos alvéolos, estruturas que realizam as trocas gasosas, e no interstício, uma espécie de rede localizada entre o alvéolo e pequenos vasos sanguíneos (os capilares).

Coração

Dois estudos publicados nesta segunda-feira (27) avançam em evidências relacionadas aos efeitos do coronavírus Sars CoV-2 sobre o tecido do coração. Um deles, realizado com autópsias de 39 pacientes, mostra a presença do vírus no miocárdio em 60% dos casos. O outro estudo, que conta com 100 pacientes recuperados de Covid-19, mostrou que, em 78%, houve uma inflamação diagnosticada por ressonância magnética, mesmo semanas após a recuperação.

Cabelo

Pacientes recuperados da Covid-19 têm relatado a queda acentuada de cabelo. O problema vem sendo discutido tanto nas redes sociais como nos consultórios de dermatologia dos Estados Unidos.

De acordo com a Escola de Medicina de Universidade de Harvard, o chamado eflúvio telógeno, termo médico para essa condição, pode ser desencadeado por cirurgia, trauma físico grave, estresse psicológico grave, febre alta, infecção grave, perda extrema de peso, mudança extrema na dieta, alterações hormonais abruptas e deficiência de ferro.

O problema ocorre quando o corpo sofre um choque no sistema, forçando o cabelo a pular da fase de crescimento para a fase de repouso e, em seguida, para a fase de queda, explicou o dermatologista Shilpi Khetarpal, da Cleveland Clinic Foundation.

A condição pode fazer um paciente perder até 50% do cabelo, mas é importante ressaltar que o problema é temporário, pois a queda tende a diminuir nos seis meses seguintes até que o cabelo volte ao normal.

Fonte: Revista Saúde, Vogue e PubMed