Bombeiro de Nova Venécia explica como explosões, como a do Porto de Beirute no Líbano, podem acontecer

Nesta quinta feira (6), o ministério da Saúde do Líbano informou que 157 pessoas morreram, mais de 5 mil ficaram feridas e dezenas seguem desaparecidas após explosão no porto de Beirute no Líbano. Ao menos 16 funcionários do porto e autoridades alfandegárias foram detidos no âmbito da investigação. Estão sendo investigados a possibilidade de um incêndio em fogos de artifícios, atentado à bomba, fagulhas de solda usadas no reparo do portão do hangar e até o uso de um míssil.

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Seguindo a linha de incêndio, entrevistamos o bombeiro militar, Ten Davi Pedroza, Sub Cmt da 2°CIA/2°BBM de Nova Venécia, que nos explicou o porquê da explosão com o nitrato de amônio no porto de Beirute, já que a substância, bem armazenada, não explodiria naturalmente. Nessa entrevista usamos a suposição de um incêndio provocado por fogos de artifício, ocorrência normalmente atendida pelo Corpo de Bombeiros.

Leia a entrevista com o bombeiro militar, Ten Davi Pedroza, Sub Cmt da 2°CIA/2°BBM de Nova Venécia.

Vou fazer um breve comentário aqui sobre a explosão que tivemos no Líbano. Essa explosão foi uma explosão inicialmente ocasionado por um incêndio em um compartimento onde haviam fogos de artifício, esse incêndio acabou gerando um aquecimento no armazém onde tinha uma grande carga de nitrato de amônio.

Esse produto, ele por si só, não é inflamável, mas aquecido a 210 graus Celsius ele se torna inflamável. E por conta disso houve aquela explosão. O volume desse nitrato de amônio era muito grande. Esse produto ele é utilizado principalmente como fertilizante.

O perigo dos Cilos

Nós temos diversos cilos e diversos armazéns, principalmente nos portos, mas aqui mesmo na nossa região de Nova Venécia nós temos diversos cilos que armazenam café, principalmente, pimenta e outros produtos.

Esses produtos, por si só, não são inflamáveis, mas a sua poeira, sob pressão, com uma condição ideal de oxigênio e se houver um ponto de ignição para aquecer isso, pode sim haver uma explosão.

Nós temos o histórico no nosso país. Eu acho que o mais recente foi no Porto de Paranaguá, em um cilo que armazenava soja. A própria esteira de borracha que fazia o transporte dessa soja aqueceu no metal, gerando o ponto de ignição. Então essa poeira, com a mistura ideal de oxigênio, gerou uma explosão.

Hoje temos nas esteiras sensores que identificam essa temperatura. Os cilos têm diversos mecanismos para que não haja essa mistura da poeira com o oxigênio. A medida que o cilo vai enchendo as tampas móveis não deixam gerar essa pressão ideal.

Existe o risco, mas a controle é através de liberação de alvará. Se houver algum acidente, que se tenha uma uma resposta imediata para isso.

O Navio Russo

Segundo a CNN Brasil, em 2013, o MV Rhosus partiu de Batumi, na Geórgia, com destino a Moçambique. Carregava 2.750 toneladas de nitrato de amônio. Parou em Beirute para pegar outra carga. Uma vez em Beirute, o navio foi detido e sua carga apreendida pelas autoridades portuárias devido a problemas financeiros. Sua carga foi descarregada no porto em novembro de 2014 e armazenado em um hangar.