A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou, nessa terça feira (30), uma análise e um posicionamento sobre os mais variados remédios que vêm sendo usados para tratar pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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Hidroxicloroquina/cloroquina

Até o momento, os principais estudos clínicos não demonstraram eficácia da hidroxicloroquina ou da cloroquina no tratamento de pacientes em estado grave. Além disso, destaca a SBI, também foram relatados efeitos colaterais e não foi verificado nenhum benefício no uso do medicamento como profilaxia pós-exposição, isto é, para prevenir a infecção.

Já o uso para tratar os casos leves de covid-19 ainda está sendo avaliado e a comunidade médica aguarda os resultados.

A SBI ainda cita que entidades como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a FDA (agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos), por exemplo, recentemente desaconselharam o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina contra a covid-19 “devido à falta de benefício comprovado e potencial de toxicidade”.

“A Sociedade Brasileira de Infectologia também segue e recomenda tais decisões”, diz.

Azitromicina

A associação do medicamento ao antibiótico azitromicina, relata a SBI, também não trouxe benefícios clínicos e predispõe os pacientes à arritmia cardíaca. Além disso, os antibióticos não têm indicação para tratar infecções virais, e seu uso indiscriminado favorece a resistência bacteriana.

Corticoides (dexametasona)

Um relatório preliminar de um grande estudo coordenado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, demonstrou que o corticoide dexametasona aumenta a sobrevida de pacientes infectados pelo coronavírus em estado grave, que necessitam de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica.

A SBI pontua, porém, que não há evidências da eficácia dos corticoides nem no tratamento das formas leves ou moderadas da doença, nem como forma de prevenir a infeção.

A necessidade de uso e a escolha do corticoide devem ser definidas exclusivamente pelos médicos. “A automedicação e o uso preventivo de corticoides para covid-19 podem causar efeitos colaterais”, alerta a entidade.

Antivirais (remdesivir)

A associação dos antirretrovirais lopinavir e ritonavir, usada no passado por portadores do HIV, também foi avaliada em um estudo chinês publicado em maio, mas não demonstrou eficácia no tratamento da covid-19. Um comunicado divulgado na segunda-feira (29) pela Universidade de Oxford reforça essa análise.

“A SBI não recomenda seu uso em pacientes com covid-19”, reitera a entidade brasileira.

Já um outro estudo feito com o remdesivir indicou que o medicamento pode ajudar a reduzir o tempo de recuperação de pacientes com formas moderadas e graves da covid-19. O antiviral ainda não tem registro no Brasil, e seu uso foi autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apenas para estudos clínicos.

Antiparasitários (ivermectina)

Os antiparasitários ivermectina e nitazoxanida parecem ter atividade in vitro contra o novo coronavírus, mas ainda não há comprovação de eficácia in vivo, isto é, em seres humanos. Muitos dos medicamentos que demonstraram ação antiviral no laboratório não tiveram o mesmo benefício in vivo.

“Só estudos clínicos permitirão definir seu benefício e segurança contra a covid-19”, afirma a SBI.

Tocilizumabe

O uso do imunomodulador tocilizumabe, escreve a entidade, foi descrito em alguns casos e estudos observacionais de pacientes com covid-19 com alguns resultados positivos. Até o momento, porém, não há dados de ensaios clínicos que comprovem seu benefício e segurança.

O estudo Recovery, coordenado pela Universidade de Oxford, deverá divulgar os resultados dos testes em pacientes que receberam tocilizumabe nos próximos dias.

Anticoagulantes (heparina)

Como os pacientes hospitalizados têm maior risco de complicações trombóticas, anticoagulantes como a heparina e seus derivados têm sido indicados, na ausência de contraindicações, para a maior parte dos infectados pelo coronavírus.

Mas a SBI alerta que não há indicação para o uso rotineiro de anticoagulantes em pacientes hospitalizados com covid-19, tampouco em pacientes em atendimento ambulatorial, que apresentem formas menos graves da doença.

Plasma convalescente

O uso de plasma de recuperados da covid-19 pode beneficiar pacientes ainda infectados, mas estudos clínicos que comprovem sua eficácia e segurança, como o Recovery, da Oxford, ainda estão em andamento.

Vitaminas e suplementos alimentares

A SBI alerta, por fim, que não há nenhuma comprovação da eficácia das vitaminas C e D, nem de suplementos alimentares como o zinco, no tratamento de pacientes com covid-19, exceto aqueles que apresentam deficiência de vitaminas ou carência mineral.

Fonte: UOL